Por mais reduzido que fosse o escopo fundador da Literatura Comparada (LC) no século XIX, cujo foco eram estratégias comparativas entre literaturas nacionais, mesmo eivada de traços iluministas e eurocêntricos, a LC já ensaiava um primeiro passo na direção do “outro” e da sua cultura. Depois, ao sabor dos solavancos, guerras e crises do século XX e da atmosfera modernista e do polêmico pós-modernismo, a cultura, a literatura e todos os campos do saber foram submetidos a instabilidades severas. Agentes novos entraram em cena: os Estudos Culturais da Inglaterra dos anos de 1950; a influência avassaladora da Segunda (1960-1980) e Terceira Ondas do Feminismo (1990-2010); e os movimentos insurgentes de grupos minorizados, por meio de marcadores étnico-raciais, sexuais, políticos, dentre outros. Já não se pensa mais somente em “cânones” artísticos e literários, nem em “alta cultura” em oposição a uma suposta “baixa cultura”, e os estudos literários são marcados pela interdisciplinaridade, co